Conheça aqui como surgiu esta abreviatura do meu nome, e se tornou minha identidade no mundo digital, antes mesmo da existência da Internet comercial.
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Como nasceu meu apelido
Em 1988, a internet ainda estava em seus primórdios, mesmo em escala global. Ela não estava disponível para uso comercial, que começou apenas em 1991 nos Estados Unidos e dois ou três anos depois no Brasil. Entretanto, eu era professor em tempo parcial no Instituto de Matemática e Estatística da Universidade de São Paulo (USP), e a universidade havia sido convidada a participar de uma rede de universidades (que já usava alguns dos protocolos que hoje se usam na internet), que se chamava Bitnet.
Bitnet é o acrônimo de “Because It’s Time to NETwork” (ou “Because It’s There NETwork”). Esta rede foi criada em 1981 a partir de uma ligação entre a Universidade da Cidade de Nova Iorque (NYU) e a Universidade Yale, que visava proporcionar um meio rápido e barato de comunicação para o meio acadêmico. Progressivamente, novas universidades foram incorporadas na Bitnet. Em 1988 já eram por volta de 250 em diversos países, e foi também a vez da USP se integrar nela.
Nesse momento, o principal serviço a ser disponibilizado, exclusivamente para os professores,, era um serviço de e-mail. Este serviço permitiria se comunicar com professores de todas as instituições participantes da rede.
É importante citar aqui um detalhe técnico: na linguagem da internet atual, estava disponível um único domínio para todos os endereços de e-mail da rede. Ou seja: todos os endereços de e-mail, no mundo todo, tinham que ser criados com um endereço terminado em @Bitnet.
No caso da USP, esse processo exigiu a criação desses endereços para vários milhares de professores, o que acabou se transformando numa campanha trabalhosa, com pessoas encarregadas em cada unidade da universidade de criar esse cadastro.
No caso do Instituto de Matemática e Estatística, que inclui o Departamento de Computação (onde eu atuava), a pessoa que ficou encarregada de gerenciar o processo (não recordo mais o seu nome) era um estudante de pós-graduação que atuava como monitor num dos laboratórios de computadores do Instituto. Apenas no nosso Instituto foi necessário criar, um a um, cerca de cento e cinquenta endereços de e-mail. Para isso, ele foi chamando os professores um a um, e criando o respectivo endereço de e-mail.
Esses endereços tinham que obedecer a regra da Bitnet: além do domínio único, a parte inicial, que nós chamamos hoje de ‘nickname’ poderia ter no máximo oito caracteres (porque o sistema de envio de e-mail estava todo hospedado em servidores UNIX, cujas contas de usuário possuíam essa limitação).
Quando chegou minha vez de ser atendido, começamos a testar a disponibilidade de possíveis nomes de usuário. No meu caso, foi sugerido iniciar pelo meu sobrenome Mayer. Este sobrenome, porém, é bastante comum, não só no Brasil mas ainda mais na Europa. Como a USP foi das últimas universidades a entrar na Bitnet, obviamente o sistema disse que a conta “mayer” já estava ocupada por outro usuário.
Então, o encarregado do processo me sugeriu testar “rmayer.”. mas também já estava ocupado. Na sequencia ele me perguntou se eu tinha um segundo nome, para inserir a inicial. Confirmei: sim, tenho, e começa com a letra C. Então testamos “rcmayer“, e também não tivemos sucesso.
No intuito de encontrar uma solução, ele então sugeriu: podemos incluir a letra O, segunda letra de Roberto, como parte do endereço? Sem pensar, eu respondi: “testa!”.
Ao testar “rocmayer’” como nome de usuário na Bitnet, fomos bem sucedidos. Nascia ali não apenas meu primeiro endereço de e-mail, mas um nickname a me acompanhar pelo resto da vida.
Na medida que novos serviços passaram a ser disponibilizados na internet, continuei utilizando o nickname “rocmayer“. E alguns amigos, carinhosamente, passaram a me chamar de “‘roc“’!
O apelido virou minha marca!
Quando chegou o momento de criar uma marca pessoal…
A disputa pela atenção, característica da realidade em que vivemos, foi citada por vários consultores de marketing como a razão para usar meu apelido, já tão conhecido, como marca.
Inspirados no slogan “assuma o LEME da sua vida”, incorporamos a letra C maiúscula por duas vezes dentro do desenho de um leme estilizado:

O resultado está acima. Você encontrou as duas letras C?
